Picolé Yopa (1980)

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Alguns amigos meus não entendem a minha revolta ao encontrar frases de biscoito da sorte chinês nos palitos de sorvete! “Mais convites para sair, menos convites para reuniões.”
“Não existe caminho certo para a felicidade, mas o atalho é feito de sorvete.”

Fizeram isso para substituir o famigerado “Madeira de Reflorestamento”, com certeza. Mas bom mesmo era tirar “Vale outro picolé Yopa”. Eu nunca ganhei a bicicleta ou o gravador (embora quisesse muito) mas perdi as contas de quantas vezes ganhei outro picolé. Era emocionante! A sensação era de ter ganhado na loteria. Era como se o meu dinheirinho da mesada, ganho a duras custas, estivesse sendo investido em ações e elas tivessem dobrado de valor.

Por isso, queremos novamente “a verdadeira fábrica de prêmios.” A Yopa virou Nestlé, então temos certeza de que a fábrica está firme e forte.

Afinal, de frases motivacionais, as redes sociais estão cheias….

Publicado em Mônica 119 (Editora Abril), março de 1980 – Cr$ 22,00

Menina Flor (1988)

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Que as novelas são um prato cheio para merchandising, isso ninguém nega. Mas eu achei que isso fosse coisa moderna. Como nunca assisti uma novela (exceto Carrossel, a original de 1991), nunca pensei que pudesse existir merchandising infantil… em 1988!

“A boneca que conquistou o Brasil na novela Mandala.”

E pensar que a minha esposa tinha uma boneca dessa guardada em sua casa na época de solteira… Não resistiu à mudança. Eu a via na prateleira de bonecas de infância dela e não imaginava que fosse do fim dos anos 80.

Alguém lembra da novela Mandala? E da aparição da boneca nela? Compartilhem suas experiências com a gente!

Publicado em Cascão n. 31 (Editora Globo) – Março de 1988

Neston (1986)

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Não tem jeito!

Sempre que estamos nessa época de fim/começo de ano a palavra férias não saí da minha cabeça! Talvez seja por causa do jeito que o sol (já de rachar às 8 da manhã) entra pelo canto das janelas e ilumina todo o quarto ou talvez seja por causa das tempestades que sempre adicionaram uma pitada de aventura e risco de morte às partidas de futebol do fim da tarde.
É nessa época também que eu sinto aquele gostinho no fundo da garganta que está diretamente relacionado à essa época do ano!

O nome do responsável?!
LANCHE DA TARDE!!!

Alguns anos atrás, o fundamental era agilidade nesse momento tão importante que separava o almoço do jantar!!
Era necessário repor as energias já gastas e também garantir combustível suficiente para o restante das brincadeiras!!
Nessa hora crucial, a cozinha de casa funcionava como um verdadeiro Pit Stop em corridas decisivas da Fórmula 1!
E qual era o combustível mais adequado para garantir a rapidez e a performance deste jovem mancebo!?!?

AS VITAMINAS!!!!

A combinação de componentes usados no elixir raramente se repetiam durante a mesma semana!!!
Era um tal de misturar beterraba com cenoura e laranja (bom pra pele) ou leite, maça e mamão (pra dar uma equilibrada no funcionamento interno do motor) ou ainda maça, banana, leite e Neston (pra ficar bem bonito e bem forte)!!!

Bora tomar um café da tarde hoje?!?!?!?

Publicado em Heróis da TV 86 – Cz$ 7,00 – Ago/86

Danoninho (1979)

danoninho Confesso que essa propaganda me deixou com vergonha alheia. Mas antes, a parte boa: Reparem que haviam disponíveis no mínimo 5 sabores de Danoninho: Morango, Abacaxi, Pera, Banana, Ameixa e “reticências” (dando a entender que ocasionalmente lançavam-se sabores novos).

Outra coisa que me dá saudade é a fórmula antiga do Danoninho. Não sei o porquê, mas toda vez que eu vejo escrito nos rótulos “nova fórmula” sinto que estão matando uma parte da minha infância. Não me recordo de NENHUMA ocasião onde eu tenha degustado um produto com “nova fórmula” e ter dito em seguida: “Uau, agora sim atingiram a perfeição.” Com o Danoninho não foi diferente.

Terceira curiosidade: Reparem a tabela nutricional. Me traz à mente o antigo jingle do comercial de televisão: “Lipídios, glicídeos, protídeos, cálcio, ferro, fósforo e Vitamina A. Me dá mais saúde, mais inteligência, me dá Danoninho, Danoninho já. Me dá.”  (http://youtu.be/8aQtO58JP_M)  Enquanto crianças, não sabíamos o que era nenhuma dessas coisas, mas já tínhamos a certeza que eram necessárias para ficar fortes e inteligentes. Campanha genial!

Agora… a parte da vergonha alheia. O incentivo das propagandas eram sempre para reaproveitar as embalagens de Danoninho. Existem algumas com instruções para se montar um foguete, uma caravela…. mas essa máscara de carnaval aqui está assustadora! Gente,  olhem a figura do canto inferior direito… É feio demais. Hehehe

Ah, outra observação: Com certeza a turma do politicamente correto também baniria, nos nossos dias, o incentivo para que a criança usasse tesoura com ponta e alfinete. Acho que até eu furaria meu dedo ao tentar fazer isso.

E então,  o que acham? Teriam coragem de usar “a fantasia mais gozada que a turma já viu?”

Publicado em Cebolinha n. 73 (Editora Abril), fevereiro de 1979 – Cr$ 9,00

TVA (1997)

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A TVA (ou Televisão Abril) foi uma operadora de televisão por assinatura que surgiu em terra Brasilis no começo da década de 90. Em tempos de Plano Collor, Verão e etc, isso quer dizer que a TVA era a TV que somente as pessoas de sangue azul poderiam assistir (salvo algumas exceções)!

É aqui que começa o meu pequeno conto (com a parte das exceções)!

As décadas de 80 e 90 tinham um costume que caiu em desuso nesse novo milênio. O nome desse costume? Ele era popularmente conhecido como BRINDE! Ele funcionava de maneira bem simples. Por exemplo, se você gostaria que alguém comprasse as figurinhas do álbum da copa que você havia lançado, você ia até as escolas e ofertava GRATUITAMENTE  o álbum. Se iria lançar uma série de fascículos, você ia até as escolas e ofertava GRATUITAMENTE  o primeiro exemplar. Pegaram o raciocínio?

Uma das principais modalidades de brinde da TVA era abrir o seu sinal exclusivo em determinadas datas para que a plebe/base da pirâmide pudesse ter um gostinho/vislumbre do maravilhoso mundo da TV por assinatura (nessa época ainda não tinha sido inventado o conceito de reprise exaustiva).

Foi graças a um desses “momentos altruístas” dessa pioneira em TV a cabo que eu tive meu primeiro contato com Fresh Prince (nada de Um Maluco no Pedaço), o desenho do Batman, Pinky e Cérebro, Animaniacs e clássicos da sétima arte como O Exterminador do Futuro, Passageiro 57, Ela é o Diabo e o Segredo do Abismo (#sdds_showtime).

Apesar de todas as facilidades e esforços da TVA em conquistar o coração do meu pai, nossa relação nunca avançou para o status Prestadora de serviço X Cliente.

Sendo assim, qual era a última alternativa para um jovem mancebo apaixonado por filmes, séries e desenhos e sem nenhum poder aquisitivo na época para bancar seu acesso à essas jóias da cultura POP?

Uma palavra = VIDEOCASSETE!!

O meu sistema era bem simples = Gravar em VHS tudo o que pudesse e assistir exaustivamente as fitas até a próxima abertura do sinal!!

Pensando bem acho que fui o responsável pela criação do conceito de reprise exaustiva!!!

Publicado em Batman 14 – R$ 2.30 – Dez/97

Gibi do Leandro e Leonardo (1991)

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1991, o ano em que as duplas sertanejas despontaram. Na era pré-internet, você podia comprar o LP ou K7 do seu artista favorito, mas também podia ficar esperando a música tocar nas rádios. Daí, corre e aperta o REC para gravar. Ah, e se você quisesse a letra da música? Ou você torcia para alguma revista (estilo Capricho) trazer a letra, ou então…. boa sorte ouvindo frase a frase e escrevendo no caderno.

Nessa época, tudo o que era moda na TV virava gibi. Foi assim que tivemos gibis do Leandro e Leonardo, Chaves e Chapolim (com M no final), gibi do Faustão, da Xuxa, do Sérgio Mallandro, entre outros.

Eu tenho algumas dessas edições em casa. Não porque eu especificamente gostava deles, mas eu comprei em anos recentes nos sebos, pelo valor histórico. Aifnal, o espírito dos anos 90 estão retratados nessas edições.

E confesso que eu achava muito mais legal ver as crianças indo às bancas comprar gibis dos personagens que viam na TV do que vê-las com um celular na mão fazendo sabe Deus o quê.

Publicado em Magali n. 163 (Editora Globo, de Novembro/1991 – Cr$ 450,00

Requeijão Nestlé da Turma da Mônica (1997)

Requeijão

Os feriados de fim de ano sempre me provocam momentos de reflexão!

Por exemplo, como era complicado conseguir um copinho desse aqui quando eu era criança (ainda mais desgostando de requeijão do jeito que desgosto.)

Ganhar um novo copo de beber refrigerante era um “true challenge”!

Algumas tarefas precisavam ser completadas!
1- convencer a “velha” que eu tinha mudado (me tornado um verdadeiro apreciador dessa iguaria)
2 – Passar a saborear as minhas três bisnaguinhas do recreio ou do café da tarde recheadas com o delicioso requeijão Nestlé (tudo pra que essa delícia de derivado do leite acabasse mais rápido e eu ganhasse logo meu copo)!!

Aqui entra o resultado da reflexão (ou as ironias e belezas da vida)!

Ainda sou apaixonado por esses copos!
O que mudou são as tarefas para alcançar o meu prêmio!
1- transferir todo o conteúdo do copo para outro recipiente com tampa e acondicionar corretamente na geladeira.
2 – Chamar um amigo viciado em requeijão para o café da tarde todos os dias por duas semanas!!!

Viram só?!?!
Nem tudo são pedras no processo de amadurecimento do ser humano!!

Publicado em Magali 209 – R$ 1,30 – Jun/97