Intellivision II (Dezembro de 1984)

intellivision
Intellivision II fabricado no Brasil (1984)

Senta que lá vem história…. (e um textão)

É preciso mesmo muita história para dissecar essa raridade que desenterramos: Esse console é nada mais nada menos do que  um dos maiores concorrentes do Atari 2600 e o Nintendinho, embora com bem menos popularidade no Brasil do que talvez merecesse.

O nome Intellivision é a mistura de Intelligent + Television (Televisão Inteligente). Com gráficos mais arrojados que o Atari em jogos de esportes e um controle esquisito, mas que permitia “movimentos em 16 direções”, o console ganhou prêmios positivos e negativos: É um dos 14 consoles mais populares entre todos já lançados, porém o controle foi considerado um dos 4 piores controles de videogame da história.

A página da propaganda que encontramos estava amarelada e o resultado acima foi o melhor que conseguimos. Mas segue aqui uma imagem mais nítida do console e do controle:

1280px-Intellivision-II-Console-Set
Intellivision II, da Mattel.

 

Quem fabricava o console? Pasmem: Mattel. Sim, a mesma empresa que fabrica a Barbie. Com os cofres cheios de dinheiro, eles puderam se aventurar no mercado de games com o selo Mattel Electronics.

Aqui no Brasil, ele foi produzido pela Digiplay, que nada mais era do que uma subsidiária da Sharp, famosa pelos aparelhos de televisão que toda casa tinha nos anos 80.

O marketing do Intellivision era agressivo e não à toa: Os jogos tinham um visual 3D, coisa inédita até então. Veja abaixo George Plimpton, famoso garoto-propaganda da marca nos EUA. Ele coloca uma imagem do jogo do Atari e uma do jogo do Intellivision e lança a seguinte pérola: “Atari versus Intellivision? Nada do que eu diga pode ser mais persuasivo do que seus próprios olhos vão lhe dizer. Compare você mesmo. Jogo por jogo, recurso por recurso, eu acho que você vai chegar à conclusão de que Intellivision é claramente superior.”

128
Propaganda agressiva da Intellivision, atacando a Atari.

Embora o sistema usasse todo seu potencial em jogos de esporte, em outros jogos era bem similar ao Atari. Uma comparação do jogo Pitfall, por exemplo, revela isso.

pitfall intell
Pitfall para Intellivision
pitfall_atari
Pitfall para Atari

 

 

 

 

 

 

Tamanha agressividade no marketing tinha uma razão: Mais do que um console de videogame, o Intellivision prometia coisas que até então parecia ficção científica: módulos que, conectados ao console, transformariam ele praticamente num computador, com teclado, modem, impressora, gravador de fita K7, etc. Alguns jogos com comando de voz foram lançados para ser usados com o módulo Intellivoice.

Essa tecnologia foi depois usada para os jogos que eram jogados na TV Pow, apresentados por Luis Ricardo dentro do programa do Bozo, lembram? Veja: TV Pow no SBT (trecho de 48 segundos)

O console para o Brasil não chegou a conhecer todos esses módulos futuristas, mesmo porque na década de 80, as leis eram rígidas para a entrada de produtos importados. Hoje nós sofremos com os preços mais altos do mundo para eletrônicos, mas na década de 80 não tínhamos nem acesso às novidades. Foi um milagre a Sharp ter abraçado a ideia e ter fabricado esse console por aqui. Produzir os módulos provavelmente seria um passo muito ousado e arriscado para a companhia.

Para se ter uma ideia, o segmento de eletrônicos na Mattel foi à falência, após uma crise mundial no mercado de games no mesmo ano que essa propaganda foi veiculada: 1984. Mas entusiastas fãs do console mantém a memória dele viva até hoje. E outras empresas deram novos rumos para a tecnologia inovadora do Intellivision.

Para você conhecer a história completa, sugerimos esse excelente site que explica direitinho toda a história do Intellivision, inclusive a sua trajetória no Brasil: História do Intellivision

Garantimos que você fará uma prazerosa viagem no tempo!

Publicado em Almanaque Disney 163 – Dezembro de 1984 – Cr$ 1650,00

 

 

 

Adaptadores Dynacom (1990)

Adaptadores Dynacom

No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, o mercado brasileiro de videogames oferecia algo bizarro chamado consoles piratas (ou genéricos ou clones).

Como a Nintendo não tinha o menor interesse em  lançar seu Nintendinho 8- bits (ou NES) na terra de Sebastião Lazaroni  e da reserva de mercado, muitas empresas lançaram videogames compatíveis com os jogos do NES. E o melhor de tudo:  sem autorização nenhuma da Nintendo!

Muita gente teve como primeiro videogame um destes piratinhas: Phantom System (Gradiente), Top Game (CCE), Turbo Game (CCE), Bit System (Dismac), Hi-Top Game (Milmar), Super Charger (IBTC), Dynavision (Dynacom). Um clone era a única forma de jogar Mario Bros, Contra, Yo! Noid, Battletoads, Double Dragon, ou Mega Man no Brasil até 1993 (quando finalmente a Nintendo entrou de forma oficial no país).

Alguns destes consoles eram compatíveis somente com os cartuchos americanos da Nintendo (60 pinos, A-60), enquanto outros apenas com os cartuchos japonenses (72 pinos, J-72). O jeito era comprar um adaptador para seu genérico também rodar os jogos do slot americano ou japonês.

Neste anúncio, a Dynacom ainda teve a cara de pau de colocar  “Nintendo é marca registrada da Nintendo-Corp USA”. Malandragem, dá um tempo…

Publicado em Almanaque da Mônica número 21-  Novembro de 1990- Preço da edição Cr$90,00