Rádio “Anteninha” (1986)

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Rádio “Anteninha”

Você já viu um “rádio-boné?” Há exatos 30 anos atrás, em pleno ano de Copa do Mundo (disputada no México), ter um rádio assim podia quebrar um bom galho.

O anúncio só não deixa claro se ele funciona somente com fones de ouvido (mono ou stereo? Na foto só mostra fone de um lado) ou se aqueles “furinhos” funcionam como auto-falante.

Em 1986, os walkmans ainda estavam em estágio embrionário. Era um sonho ter um, mas não era nada fácil encontrar. Os CEPs das ruas ainda tinham só 5 dígitos.E repare que não é um rádio AM/FM. É um rádio AM ou FM. Ou você comprava um boné para ouvir jogos nas estações AM, ou para ouvir músicas nas estações FM.

E fazendo aquela continha que gostamos de fazer, vamos calcular como seria o preço dele hoje: O gibi custava Cz$ 4,00 (quatro cruzados). O rádio custava Cz$ 550,00 ou Cz$ 700,00, ou seja, 137 ou 175 vezes mais que o gibi.

Se hoje o gibi nas bancas custa R$ 4,00 (quatro reais), então nem fica tão difícil calcular: O boné custaria algo em torno de R$ 550,00 (AM) ou R$ 700,00 (FM). Pode parecer algo absurdo e inimaginável, mas pense que na época era como se estivessem anunciando um smartphone.

E são com esses anúncios que você consegue perceber a evolução de tudo: economia, tecnologia, moda, comportamento, tendências….

Gostou? Então deixe seu comentário no blog ou na página do Facebook. Compartilhe com seus amigos para que eles também sintam a nostalgia.

Publicado em Zé Carioca 1784 (Agosto/1986) – Cz$ 4,00

Meias Acinho (1983)

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Tudo bem que essa não é uma daquelas propagandas de marcas e produtos clássicos, que imediatamente traz aquele sentimento de nostalgia, mas acho que vale o registro pela raridade! Esse é o tipo de propaganda “local”, daquelas que aparecem em apenas um gibi e depois você nunca mais vê.

A empresa de Meias Aço, de acordo com alguns sites, funcionou pelo menos até 2010. Não consegui achar registros mais atuais. Esses mesmos sites dizem que essa marca se consagrou nos anos 70 com o slogan “Aço para o papai e Acinho para o filho”.

E o que dizer da antiquada expressão “garotões e garotonas transados”? Hoje os garotões e garotonas também são transados, mas com certeza não do mesmo jeito que na década de 80. hehehe

Publicado em Pato Donald 1664 – Setembro/1983 – Cr$ 160

Camiseta Hering Moranguinho (1986)

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Atualmente as crianças estão muito “moderninhas”. É só andar no shopping para ver os baixinhos (Xuxa mode on) com camisetas da Nike, Ralph Lauren, Abercrombie e afins. Tá tudo muito fácil pra essa geração!

Não estou pedindo que as crianças usem camisetas com número de deputado nas costas, mas uma camiseta Hering com estampa do Super-Homem ou da Moranguinho tá bom demais para brincar.

Essa propaganda é bem anos 80: colorida, crianças brincando de bambolê e camiseta com cheirinho de morango. Anos 80 (e Coca Cola) é isso aí!

Publicado em Luluzinha número 140- Fevereiro de 1986- Preço da edição Cr$5.000,00

Cuequinha Mickey (1983)

Cuequinha Mickey (1983)

Os anos 80 traziam uma liberdade de expressão incontida, e por toda parte víamos anúncios que hoje seriam considerados “politicamente incorretos”.

Mas, o que temos aqui nesta propaganda, nada mais é do que a demonstração de um produto da forma mais natural possível.

O mundo evoluiu bastante nas últimas décadas, mas não tornou-se necessariamente um lugar melhor. Afinal de contas, restringir a liberdade da propaganda não vai fazer dos cidadãos pessoas melhores.

Nascemos, crescemos e nos tornamos adultos mentalmente saudáveis, usufruindo de liberdade criativa e principalmente: liberdade de escolha.

As novas gerações devem pensar e refletir sobre o rumo que as pequenas censuras podem levar, antes que se tornem grandes demais. Não deixem que tirem de vocês o poder de escolher e discernir por si próprios, o que melhor lhes convém.

Publicado no Almanaque Donald Contra Gastão nº 2 – nov-1983 – Cr$ 380

Pijaminhas Hering (1967)

Pijaminhas Hering

Vejam que interessante! Embora a estampa dos pijamas Hering sejam personagens Disney, a linguagem utilizada reflete claramente o que estava na moda em 1967: Roberto Carlos e a Jovem Guarda. “Vai ser bárbaro, mora?” “Tio Patinhas e outros brasas.” “Você vai se sentir um garotão enxuto.”

Recentemente a repórter Raquel Paulino, do IG, fez uma reportagem usando propagandas de nosso blog e destacou como o “politicamente correto” limou o conceito das propagandas que marcaram nossa infância (ou a dos seus pais).

A reportagem traz à atenção a recomendação do Conar para que não se “dialogue” com as crianças em propagandas, convidando-as ao consumo ou incentivando-as a “pedir ao papai ou à mamãe” as coisas, como podemos ver no texto da Hering de 1967 e em tantas outras propagandas que postamos.

Mas cá entre nós… Eu sou da época onde a única maneira de eu ter brinquedos ou outros produtos infantis era pedindo para o papai ou para a mamãe. E a única maneira de a criança ter acesso a propagandas eram nos gibis ou então na TV, nos intervalos da programação infantil.

Hoje as crianças possuem TV a cabo, internet, já são presenteadas com iPads em sua tenra idade, e ainda são levadas ao shopping todo fim de semana para se depararem com verdadeiros templos do consumo infantil (lojas RiHappy e similares). Em minha singela opinião, isso sim é um conjunto de coisas que constitui forte apelo para as crianças serem consumistas.

É por isso que eu tenho saudade das propagandas “politicamente incorretas”, que eram puras, inocentes em sua maioria e muito singelas. Tão suaves quanto um pijaminha Hering. E que não me tornaram um consumista impulsivo.

Publicada em Pato Donald 834 – 31/out/1967 – NCr$ 0,25